sábado, 7 de novembro de 2009

"Ilícitos" por Nephesh


O que se abstrata quando os olhos dele buscam os meus? A boca trêmula e pronta para a entrega. Quais desejos se misturam a que vontades? A feição séria e o coração virginal, clamando por meus seios surrados e meu colo de pôr-do-sol.

O corpo dele me dizendo para ficar, meus passos rápidos pelo corredor vão de encontro à porta de saída, pela qual eu mesma entrei. Um gesto angelical pedindo por um momento a dois, ele envolve minhas orelhas com suas mãos pulsantes. Por favor, não me desloque para a perdição de teus lábios, não me mantenha nesse silêncio enquanto me tiras para dançar sobre os teus pés.

Os olhos dele despem-me como um vampiro. A cada relance percebo as pupilas dilatarem sobre mim. Movimentos involuntários do rosto lindo, a língua que umedece os lábios a cada frase proferida, torna-se confusa a velocidade do som.

O tempo lá fora é curto e não podemos nos perder por entre minutos e segundos, os quais ao fechar de nossos olhos e o unir-se de nossas mãos podem verter-se em noites sobre lençóis brancos. As cortinas que balançam, movidas pela tempestade de nossa iniqüidade, a serenidade dos teus dedos percorrendo meus ombros e minha cabeça em teu peito velando nossas respirações.

Não fitaremos os olhos, pois os meus não querem carregar a culpa de te desejar. Assim tranqüilo e másculo, teu cheiro que espalhas em meu pescoço a cada frenesi trazido com seu corpo junto ao meu. Não me olhe assim ao sentir meu quadril. Toca-me com tua alma e eternize o que não podemos continuar em seus mais doces pensamentos.


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