sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Incondicional" por Nephesh


“Ser forte”: sinônimo de humilhação às vezes.
“Amar incondicionalmente”, isso pode te deixar em segundo plano.
Para quê alguém pensará duas vezes antes de te desamparar?
És forte...
Bem aventurados os fracos, sensacionalistas e vitimas.
Estes sim sobrevivem de muletas ou ancorados nas costas de alguém.
Mundo asqueroso!
Na cama dele, quase madrugada.
Um dia exaustivo, porém curado com o tal “amor incondicional”.
Um telefonema de um caso antigo.
Vítima de si mesma, não a conheço pessoalmente, sei que lhe faltam as sobrancelhas e que lembra aquelas garotas aladas dos filmes de terror orientais.
Sim! Daquelas que moram no banheiro ou saem do poço.
E que coincidência! Com todas essas personagens o telefone toca! Eis a confirmação! “Prioridades” como meu lema de vida, “Romantismo” na personalidade dele.
Eu nunca desejei um homem romântico, me apaixonara pelo lado selvagem e anônimo dele. Nunca fora romântico comigo, nunca me contemplou como fazia com os longos cabelos submissos das amigas, ou as pernas brancas e azuis de veias daquelas que o têm como "brinquedinho".
Mas eu estava apaixonada por ele.
E nunca vivi ou morri por causa de elogios.
Compartilhar a mesma cama com uma pseudo-bissexual por auto-afirmação?
Jamais! Sou muito fêmea para isso.
Com certeza ficariam abraçados, ela chorando sua raiva de si mesma e eu ficaria assistindo. Amor incondicional ou amor próprio? Quantos tipos de amor?!
E para o benefício de quem? Não consenti. Mas ele me deixara.
Por ter atravessado SP para amá-lo, não tinha como voltar para casa aquele horário.
Sem a agenda de telefone dos meus poucos e leais amigos, humilhada e jogada à rua.
Em meio a drogados, ratos e baratas. E ao encontro da alma desolada ele foi...
O tempo parou naquele momento.
Onde estava o menino doce e gentil que me aquecia em sua cama?
Eu não conseguia pensar, tremia não de frio, mas de medo.
Nunca ninguém me desamparou antes. Também nunca o fiz com ninguém.
Será que é defeito não ser ou viver como indigente?
Minutos se congelavam como horas.
Não queria que tudo acabasse ali daquele jeito.
Pensava em meu pai e mais uma vez tive certeza de que ele era o homem da minha vida.
Nunca procurei imagem paterna em relacionamentos, como a maioria das mulheres o fazem. Até que veio a inconsciência.
Assovios no ouvido e a neblina que subia.
Nem os cães latiam. Era a hora morta.
Uma mão me tocou o ombro, trazendo-me de volta à realidade.
Disse-me que não era para eu estar ali, pois era perigoso.
Fui até a porta da casa dele. Naquele momento o único lugar seguro.
Hibernei novamente em minha fuga, só lembro-me de alguns vizinhos me chamarem de drogada, prostituta, possuída entre outros nomes.
Qual o grau da humilhação?
É ser humilhada por alguém que ganha salário três vezes menor que o teu e têm o dobro da tua idade?
É ser largada por entre os detritos por causa dela?
Ou me humilhar, esperando a chegada dele para tentar consertar tudo?
E entender...
Ele chega e me leva para dentro.
Nos abraçamos, choramos juntos, eu não ouvia nada e continuava tremendo.
Ela simplesmente não apareceu, e eu continuava lá.



ARTE - PICASSO

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